... a falta dele atropela muita gente. Quanto mais nos distanciamos dos outros, menos enxergamos que a sociedade é feita de individuos, de diversidade, e que toda essa miscelânea de gostos, idéias e jeitos de viver fazem parte de uma saudável forma de viver. No entanto, nem todos sabem expressar suas opiniões de forma pacífica ou ordeira, respeitando o pensamento contrário e as diferenças que fazem de cada pessoa um ser único.
Quem viu o que aconteceu na sexta-feira em Porto Alegre fica perplexo. Um boliche humano protagonizado por alguém que, na melhor das hipóteses, pressupõe ser de um indivíduo apressado. Provavelmente não era nada de tão urgente, nenhum problema de saúde, um trabalho de parto iminente. Mas o protagonista tinha que mostrar que era o cara, e que os cerca de 100 ciclistas estavam errados em incentivar o uso das magrelas em alternativa aos veículos motorizados. Custava dobrar na Rua da Republica, pegar a João Alfredo e seguir a sua vida? Acho que não.
Você pode não corcordar com a opinião alheia, mas jamais incorrer a um crime para manifestar a sua opinião. É possível dar menos bola àquilo que lhe encomoda e nem por isso passar batido pela vida. Aposto que no seu íntimo, ainda que admita a culpa, o atropelador justifique sua atitude pelo fato de que estavam trancando a via, um bando de "pé-de-chinelo alternativo". Se você não sabe ou quer manifestar sua opinião pacificamente, assegure isso aos demais que assim desejam, como os ciclistas.
O mundo vai muito além dos seus gostos e preferências, ainda que 90% prefira o mesmo que você.
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